AMOR DISTANTE

 

 

Pensei no meu amor ausente

Ele também pensou em mim

Era uma separação gigante

Plantado nesse mar sem fim…

 

 Passeando numa praia…

Ela apanhava conchas

No rebentar das ondas…

 

O Sol no horizonte

Queimava-lhe a fronte…

 

Senti uma forte comoção

 E vontade de a beijar…

Mas era um sonho distante

E eu não a podia abraçar…

 

Rui Pais

 

 

 

 

DIÁLOGO COM O MAR

 

 

Oh mar sinistro e profundo

Tu que engoles as águas

Dos rios do mundo

O que não farias

A um pobre vagabundo…

 

Vejo o baixar

E subir das tuas marés

Mas não consigo avistar

Teus pés…

 

A Terra que te viu nascer

É a mesma que te dá de beber…

No teu fundo há tesouros escondidos

Que permanecem adormecidos…

 

À noite pões-te a observar a Lua

Essa Lua que não é minha nem tua…

Nem as estrelas e o céu…

Este céu que tão pouco é teu

 Nem meu…

 

Tens pactos com a neblina

E colocas as armadilhas

Onde ninguém imagina…

 

Eu sou fiel amigo do Sol

E um seu admirador…

Recebo suas energias

Em forma de calor…

 

Mar astuto… manhoso…

Sobre o homem

Sempre sairás

Vitorioso…

 

Rui Pais

01/05/2005

 

 

 

 

 

 

SE A VIDA TIVESSE SIDO OUTRA

 

 

Se a vida tivesse sido outra

Eu poderia ter sido

Uma Estrela ofuscante…

Neste espaço gigante…

 

Poderia ter sido

O Sol ou a Lua…

Iluminando esta minha vida

Quase nua…

 

Poderia ser sido

Uma árvore…

Uma flor…

Um peixe voador…

 

Isto se a minha vida

Tivesse sido outra

Eu poderia ter sido…

 

Mas DEUS

Fez-me homem

Na Terra…

Deixou-me

 A Primavera…

E de mais nada

Me falou…

Onde minha vida

Um dia sem eu saber

O porquê, desabrochou…

 

Rui Pais

 

 

 

 

 

 

QUANDO EU MORRER

 

 

Quando eu morrer que seja

Numa época de temperatura

Moderada

Que a terra não esteja

Demasiado encharcada

Não quero sentir frio…

Como aquela névoa matinal

À beira rio…

 

Que seja então na Primavera

Ou no solstício do Verão…

De modo a que as sementes

Se elevem do chão…

Como uma nova fonte

Que estabelece

Essa ponte…

 

Quando eu morrer

Um novo plantio assente em mim

Germinará como novo ser

Num recanto do jardim…

 

Uma robusta árvore

Cipreste ou pinheiro

Tanto faz…

Desde que ao olhar

Haja harmonia e paz…

 

Que seja aromática…

Detentora dum perfumado

Cheiro…

E que um dia

Pela sua elegância e robustez

Possa ser apreciada

Pela gente do mundo inteiro

Em fila na sua vez…

 

Eu serei parte de sua raiz

Onde ela se sentirá feliz…

Erguendo-se num majestoso

Tronco, de gracioso porte

Que subsiste

À morte…

Tal qual o vasto espaço sideral

Que sempre resiste

A qualquer temporal…

 

E eu me perpetuarei

No mundo da poesia

Que eu próprio criei

Na mente certo dia…

 

Rui Pais

 

 

 

 

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www.ruipais.com

 

 

 

 

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