DÚVIDAS INCHADAS
Guilherme Minassa
Estou ou estamos derrotados?
Fui ou fomos derrotados?
Serie ou seremos derrotados?
O
inimigo é assim meio invisível mesmo, viu.
Mas sua crueldade é bem visível.
Aliás, é escancarada, desavergonhada até.
E
suas vitrines são as grandes metrópoles
Que “incharam” aqui pelo Sul do Equador.
E
as fábricas multinacionais de dores que criaram
Estão praticamente prontas para começarem e exportar
O
cruel produto do descaso e da insensatez.

QUASE EXPLOSÃO
Guilherme Minassa
A
PERCEPÇÃO AGUÇADA
Enche ainda mais
A
alma cansada.
Tudo parece querer explodir.
A
realidade desnuda de racionalidade
Aponta terríveis encruzilhadas.
Tudo parece querer explodir.
Um poeta desconhecido questiona
Um menino comum anda de skate
Uma criança nasce,
E
nenhuma estrela percorre o céu.
Tudo perece querer explodir.
JANELAS
I
As janelas estão cheias
De “lá fora”
Que importa
Se escolhi, com amor
Que quero ficar
Aqui dentro.
II
Embora ainda cheias
De “lá fora”
Transferiram as janelas do mundo
Para as telas dos computadores.
A
realidade virtual agora encobre
A
realidade real...
A
única esperança é que os refinados encantamentos
Possam agir sem que ninguém se incomode
Até que o plano esteja consumado.
III
A
verdade é plural
E
as janelas
Continuam cheias de “lá fora”
Onde as possibilidades são ilimitadas.
E porque continuo “aqui dentro”,
Pensando se a verdade
É
singular ou plural?
Agora é a mentira que se intromete no pensar.
Será ela, então, singular ou plural?
E
as janelas...
MANCHAS
Guilherme Minassa
Tem alguma coisa muito errada.
Petróleo não pode valer mais
Que a vida de uma criança.
Fodam-se os separatistas chechenos
Foda-se o presidente russo.
Pais do mundo – de todos os credos e raças – uni-vos.
E
fodam – se também todas as razões políticas e econômicas
Quando o preço a pagar é a vida de uma criança.
Porque isso
É
um tiro no coração da esperança.
DE REPENTE
Guilherme Minassa
E
de repente
“não mais que de repente”,
A
vida passou.
“Carolina não viu”
Você não viu
Quase ninguém viu.
(Talvez Pablo Neruda tenha visto).
E
aqueles ofegantes peitos
Parecem acenar para mim
E
ninguém viu
Talvez, só eu.