REVIRAMUNDO

 

Às vezes sonho, simplesmente sonho

Com meus versos em algum lugar distante.

Nessa mesma imagem, vejo-me tristonho

Por ter a poesia como infiel amante.

 

Parece que minhas palavras saudosas,

Não são minhas únicas e legítimas filhas.

Parece que minhas poesias tão mimosas,

Deixaram-se perder nas vagas trilhas.

 

Sou um poeta que caminha cego,

Perdido, confundindo o próprio ego,

Trôpego, cambaleando à luz do dia.

 

Sou a própria procura angustiante,

Que submisso ao imenso amor errante,

Revira o mundo, a procura de poesia!

 

Paulo Monteiro

 

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