A LOUCA

 

A louca morreu. A insana Jurema morreu.

Acabaram-se os gemidos e os choros.

Os horrores estampados nos olhos vermelhos

Da tão louca e infeliz Jurema.

 

A morte custou a chegar, livrou-a do sofrimento,

De longos e infindáveis anos de lamento.

A angústia que tinha nas mãos,

Hoje entrelaçadas sobre o seu peito...

 

Os gritos medonhos que ecoavam na madrugada...

A fúria incontrolável de seus atos...

O abraço arrependido na bondade de sua mãe,

O desespero em forma de membros retorcidos!

 

Seu quarto, com cama, janela e porta;

Porta trancada, janela calada e cama gelada.

Foi salva por não saber o que fazia.

A Louca morreu! A insana Jurema morreu!

 

Paulo Monteiro

1985

 

 

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