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Volta...
Quando ouvi seu último doce e terno canto
Senti medo, acho que era de dizer Adeus!
Ele estava aflito, misturado com seu pranto
Como a se despedir, triste, dos versos meus.
Meu canto era, sem dúvida, o mais triste
Com maestria você leu meu coração
Meu pranto denunciou a dor maior que existe
Na lágrima furtiva, que resvalou em sua mão
Depois, aos poucos, o silêncio reinou
Fechei os olhos, na tênue esperança
De escutar seus passos, ou o que deles restou
Nada havia, você foi morar em minha lembrança.
O próprio vento cismou de silenciar. Então...
Pés, que eu desconhecia, retrocederam por um caminho
Denso, banhado de uma estranha e sórdida solidão
Sua ausência... essa, por fim, dilacerou meu coração
Perguntei aos anjos sobre a sua volta
Ao mundo dos poetas e das fantasias
Nada me disseram, brotou-me a revolta
De nunca mais vê-la a brincar com poesias.
Morreram-me as palavras, emudeci
Apenas a lembrança do seu canto
Entremeado ao meu, nos versos que reli
Resguardaram-me de tamanho desencanto
O tempo me ensinou a viver com a saudade
Da nossa canção e dos versos na madrugada.
Da aceitação de unir cada doce metade
E escrever contigo sob a noite enluarada.
O tempo, a mim, ensinou muitas coisas...
Quando duas metades se quedam, silenciosas
A saudade faz a ponte, que une uma à outra parte
Tornando a amizade ainda mais preciosa
Ontem ao amanhecer escutei um chamado
De uma voz suave que murmurava paixão
Lembrei-me feliz de uma outra canção
Senti tua presença, agora ao meu lado.
O chamado ecoou do meu coração liberto
Da tristeza e do medo, finalmente, alforriado
Cansado de seguir por caminhos
Guiou-me de volta, para sempre, a seu lado
De pura felicidade, uma lágrima brotou.
Teu canto era morno, agora ele é quente
Aqueceu meu olhar, minh’alma ele acalmou
A alegria chegou faceira e de repente.
Os passos que retornam são agora meus, e mais lestos
Mais decididos
O carinho...trago todos que guardei para lhe dar
E sob o brilho dos olhos, os segredos da alma para lhe contar
Fica ao lado desse poeta sonhador
Minha inspiração, nunca mais se faça ausente.
A saudade só não machuca quem não a sente.
Vamos versejar, minha amiga, minha flor.
Meu poeta, meu querido sonhador
Não permitas novamente que eu parta
Desta, que tanto o quer, não se despeça
Que nos unam, nesta vida, soberbos versos de amor.
Flori
10/09/2005
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