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Sonho na Madrugada
Paulo Monteiro & Flori
Jane
(Paulo)
Vem a noite
surgindo quieta e vagarosa
Com o
prenúncio de sonhos e viagens.
Sei que será
linda e também tenebrosa
Irei caminhar
por frias aragens.
(Flori)
Espero a noite
entre calma e ansiosa
No
horizonte, o sol
se rende à sua amada, lua cintilante
E as trevas
caminham silenciosas... engolfando a vida
Q ue
adormece, recatada, nos
reflexos finais da madrugada
(Paulo)
Inicia então o
meu sonho e meu segredo.
Ando em um
campo infestado de medo
Meu medo!
Começa uma leve ansiedade
O vento traz o
cheiro da serenidade.
(Flori)
É chegada a
hora, é quase o momento
O universo
conspira, é doce a madrugada
Há lilases
pelas veredas por onde passo
Há segredos,
que serão um dia desvelados
(Paulo)
Ela começa a
brilhar em sua áurea de beleza.
Vem surgindo,
como em todas as madrugadas.
Na brisa,
vozes, cânticos e baladas
Toma forma a
mulher, uma linda princesa.
(Flori)
Envolta em
delicadas nebulosas, caminho
Invadindo o
sonho de meu bem-amado
Esgueirando-me
a princípio, adentro levemente
Assumindo
forma aos olhos que me pressentem
(Paulo)
No sonho,
permaneço a contemplar
Vênus, em sua
absurda perfeição
Murmura o meu
nome, parece cantar
Como uma fada,
uma doce canção.
(Flori)
Ele me olha
suavemente, como é terno...
Sustento o seu
olhar...serena adoração
Emociono-me e sussurro
seu nome
com sincera afeição
Sou quase uma deusa,
sua mítica princesa
(Paulo)
Minh’alma
resiste, é uma tentação profana
Os sacerdotes
insistiram em sua proibição.
Mas o
sentimento que habita meu coração
É de uma
paixão pecadora, mas que ama.
(Flori)
Ele hesita...
oh, doce hesitação
Quanto mistério
afronta em sua louca fantasia!
R essurge
a paixão arrasadora e, num ímpeto
Ele mergulha em
um mar de sensações...
(Paulo)
Busco o fundo
dos olhos infinitos da mulher
Vejo várias
formas, estou em um lugar qualquer
Atiro-me em
seus braços, estou apaixonado
Perdoe-me, o
pecado está consumado.
(Flori)
Vejo-me,
fada cristalina, em seus olhos refletida
Sou múltipla e
imperiosa figura, serpente sedutora
Reluta
fascinado, em sua última defesa
E finalmente se entrega,
o meu menino apaixonado
(Paulo)
Ah, como são
doces os momentos de paixão
As juras são
eternas, não quero mais a razão.
Ela é pura, de
malícia está totalmente nua,
Nada me pede,
oferece seus lábios e a lua
(Flori)
Tornam-se eternos os parcos momentos de paixão
Sua alma singela sobrepõe-se docemente à minha
E nesse átimo
de completa mansidão
Cedo-lhe,
entre beijos, a alma e o coração
(Paulo)
Segura minhas
mãos, como uma linda cigana.
Repouso em seu
peito, o sonho chega ao fim
Desperto
exausto, o suor um odor emana.
Trouxe-me de
volta o bondoso Serafim.
(Flori)
Por fim ele
adormece...caindo exausto num abraço meu
Repousa o meu
guerreiro, o meu poeta amado
E, por ironia,
desse amor profundo, é este o momento
Em que
ele desperta e o encantamento se desfaz
(Paulo)
Ela habita
meus sonhos na madrugada
Perco a
lucidez, não sei o que é o pecado.
O sinal de
minha loucura é esperar pela
amada
É sofrer ao
sonhar, é amar calado.
(Flori)
Sinto-me nua,
nesse hiato, sou nada
Vejo-me esvoaçar...e me perco de mim mesma
Lá se vai o
meu amor, que só é meu na madrugada
M eu
sonhador... e eu, na sua vida, apenas em sonhos revivida.
Paulo
São Paulo -
Brasil
28/05/05
Flori Jane
São Paulo - Brasil
28/05/05
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