Separação
Você levou a minha metade
Naquele abraço de adeus.
Deixou em mim a saudade
Estampada em meus olhos
ateus.
Sentir o calor de seus
braços para mim
Foi o último ato de uma
peça sem fim.
Não ensaiei palavras de
despedida
Não me preparei para cuidar
das feridas
Provocadas pela tua
ausência.
As lágrimas, friamente
segurei.
O soluço na alma eu
guardei.
O olhar triste deixei para
minha penitência.
O vento em seus cabelos
dançava
Seus olhos brilhavam
distantes
Os lábios, um beijo
disfarçava.
Sentimos a cumplicidade dos
amantes.
Nossas mãos se uniram pela
última vez
A cor rubra tomou conta de
nossa tez.
Juramos que nunca iríamos
nos esquecer
Nas despedidas é o que
resta dizer.
Abraçamo-nos sob uma chuva
fina e calma
Ungindo a proximidade de
nossas almas.
E o olhar, com um lamento
desesperado,
Escondia um choro
disfarçado.
Ofertei naquele momento uma
declaração
De amor incontido e pedi
perdão,
Por amar-te no silêncio da
minha oração,
Por desejar dividir a minha
solidão.
Hoje meus versos buscam um
sentido
Para o ato triste da
separação.
O que o amor pode ter unido
Não tem importância para a
razão.
Em meu silêncio ofereço uma
jura
Dessas que a vida nos
ensina.
A fazer nos momentos de
ternura.
Quando deparar-me com a
chuva fina
A molhar lentamente o meu
coração
Vou sonhar com o teu rosto
de mulher
E cantarei uma canção
qualquer
Para sufocar essa saudosa
paixão.
Paulo
São Paulo – SP
04/12/05