Agora amiga,
Começas a criar
asas...
Para onde te
levarão, amiga?
Voarás como um
frágil pássaro
Ou como um branco
anjo?
Cuidado por onde
voares!
A poesia me contou
Que além das
montanhas verdes
Existe um sinistro
lugar,
Berço de entranhas
fétidas
Onde voam pássaros
negros
Onde o ar é
impregnado de morte,
Onde as mulheres
plantam seus sexos na terra.
E no espaço pairam
cânticos
Entoados por negros
guerreiros,
Que cravam espinhos
em suas mãos.
Porém, existem
flores tão belas,
Que com seus
encantos te levarão ao abismo.
Cuidado amiga,
Com a praia banhada
de águas vermelhas,
Pois elas contêm o
sangue do poeta morto.
Certo dia, contou-me
a poesia,
Ela voou para além
da matéria
E resolveu pousar
Além das montanhas
verdes.
Diz-se que sentiu
atraída pelos cânticos
E que,
graciosamente,
Suas asas
despetalavam-se
Ao ver as flores.
Só não caiu no
abismo
Por ser filha do
incerto.
Embora eu te
quisesse amiga,
Não és sequer amante
da poesia...
És somente aquela
que ganha asas
- Para onde te
levarão, amiga??
Paulo Monteiro
1989