Sim, eu sei,
Como é fácil imaginar
O
vôo da águia no alto do Picachu
E
partir
Como é doce
Sentir a maresia do Mar do Norte
Escutar o sussurro das ondas
E
navegar
Ouvir o velho do Everest
O
batimento das asas do colibri
E
sorrir
Olhar fixando a semente
Imaginando o fruto silvestre
Do
meu querer.
Sim, eu sei tudo isso,
Ou
talvez mais.
Sei
que imaginar
Dá
vida
Sonhar
Dá
alento
Rir
É
um presente
Deleitado com prazer.
Mas, nas entrelinhas da imaginação,
Reside a crueldade da dor,
Realidade do pedinte de rua,
Daquela criança, tão bela,
Feliz com um naco de pão,
Imaginando ser um doce.
Da
pobre mãe, viúva da riqueza,
Do
Zé Ninguém, nado no trabalho,
Morto no quotidiano,
Na
bola de farrapos
Jogada na copa da imaginação.