MÃE TERRA

Olho as folhas rastejantes

Humilde tapete em mil cores doado,

Saboreio o vento das montanhas e vales

Sinto nas veias os riachos puros,

As nuvens beijando o sol

A andorinha que encanta

A sereia mais bela

Neste mar imenso que me vislumbra

E me abraça num arco-íris sem fim

Como tudo é belo,

Como tudo engana,

Por ainda quereres ser donzela

Neste reino que te maltrata.

 

E me penitencio,

Ajoelho-me aos teus brados,

Aceito os teus gemidos

A tua agitação

A revolta que estremece em temporais,

Poluindo teu nome

Agredindo-te constantemente

Apregoando uma paz podre

Lavrada em acordos hipócritas

Em papel desmembrado do teu corpo.

 

Esquecem ser teus filhos,

Nascidos do teu pó,

Envolvidos pela tua luz

Alimentados da tua seiva

Enquanto te respondem com enlatados

Ocres líquidos nauseabundos

Te endividando.

 

E aceito.

Sim, aceito a tua revolta,

As tuas ondas gigantes, os teus tremores,

As nuvens sem água, o céu de enxurradas.

Aceito

E me resigno á tua força

Mesmo que inocentes sucumbam

Na tua fúria,

No teu alerta constante

Desse pedido de socorro constante,

Desses lamentos  e choro por todos nós,

Nas sepulturas cavadas nas tuas entranhas,

Morte anunciada de tanto abuso.

 

Mas que posso fazer, Mãe Terra?

Desculpar-me é pouco,

Manifestar-me não basta,

Politizar? Se nem no silêncio me ouvem.....

Sei que estás cansada

E pouco posso fazer

A não ser mais uma ode de alerta

De resto....

Dar-te a mão

E contigo REVOLTAR-ME.

 

Luis Paiva adães – Portugal

16-03-05

adaes.luis@sapo.pt

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