Homenagem a meu pai, Emidio

( Célia Limão Mariani )

 

Pai, lembrar de você é lembrar da minha infância, adolescência. Lembrar dos passeios feitos em família, todos os domingos à noite, das missas assistidas, do coreto na praça, da sorveteria, da pipoca. É recordá-lo feliz ao nosso lado.

É lembrar de suas férias, de nossas férias. Das viagens que fazíamos de trem, todos os anos. É lembrar das visitas que fazíamos na casa dos parentes e dos que recebíamos em casa. É lembrar das festas de final de ano, dos brinquedos ganhos. As festas de formaturas.

Pai, lembrar de você é lembrar de minha saída de Bebedouro e ida para a cidade de São Paulo para cursar a faculdade de Belas Artes, o adeus definitivo à infância, à adolescência e ao aconchego do meu lar. É lembrar de sua trajetória junto a mim até o altar, do dia do meu casamento. É lembrar de sua alegria no nascimento de meus filhos.

O senhor nunca desistiu de me ensinar o bem. Insistiu com amor, com energia, através de exemplos. Pai, você me presenteou com a virtude do equilíbrio, com a construção da Paz. O senhor nunca colocou em minha boca palavras de separação, de ódio, de desajustes. Ensinou-me o sentido bom da vida e aprendi a ser sábia.

Pai, o senhor praticou a justiça, o direito e eu jamais abandonarei o caminho da retidão. Ensinou-me o significado da responsabilidade, da esperança de uma vida digna. Suas esperanças não foram colocadas nas vaidades e riquezas, mas na prática da Palavra do Senhor e gerou-me filha de Deus. Fez questão de mostrar-me a perfeita imagem do PAI de todos nós. Pai, suas atitudes serão sempre louvadas. O senhor será eternamente bendito por ter lutado com todas as suas qualidades na minha formação.

Lembrar de você me faz remeter às várias vezes que o acompanhei às consultas médicas e, na volta, a nossa "paradinha" para o cafezinho na loja da Kopenhagem. E com paciência ouvia-o novamente sobre suas dúvidas, dores, angustias... eram sempre os mesmos assuntos e eu não o interrompia, escutava-o mais uma vez.

Pai, o senhor partiu sem que eu tivesse "tempo" de lhe agradecer por tudo, pela vida, pelos ensinamentos e exemplos. Pai, faltou declarar-lhe o meu amor em voz alta para que ouvisse. Faltou-me "coragem". A esperança de ter mais oportunidades para fazê-lo, contribuiu e atrapalhou nesta falta.

É claro em minha mente o meu último momento com o senhor na UTI do hospital e, como ministra da Eucaristia pude dar-lhe a hóstia consagrada, a Eucaristia, que é a experiência na qual somos alimentados pelo Amor de Cristo. Jesus Cristo esteve ali presente como há 2000 anos atrás...  e o colheu, como faz com todos que recebem a Eucaristia durante a missa.

Nossos últimos momentos juntos foram no corredor do hospital, deitado na maca, a caminho do centro cirúrgico. Com muita fé e amor fiz em sua testa o sinal da cruz... sem acreditar que seria o meu último gesto e contato com o senhor. Dei-lhe um abraço e em pensamento entreguei-o nas Mãos de Jesus e Maria.

Pai creio que está junto a Deus Pai. Aceite esta homenagem em meio de saudades... muitas saudades...  Peço-lhe agora a sua bênção... como quando eu era criança.

 

Sua filha,

Célia

 

São Paulo, Dia dos Pais, 2003

Saudades desde 06 de maio de 1998

 

 

 

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