Tsunami

A Tragédia Escrita à Água

Flori Jane

 

 

Revoltou-se o mar!

De suas entranhas explodiu o terror

No desabrochar violento das águas

Corrompendo a nossa paz

Despedaçando esperanças

Ceifando vidas

(Quantas vidas interrompidas...)

O poeta, em seu triste canto, disse:

- Como não chorar?

Eu reafirmo: - Há que se chorar!

No entanto, é seco o meu pranto

Como ignorar as imagens

de pessoas gritando?

Alucinadas, chorando...

Desvalidas...

Crianças perdidas e mães aviltadas

braços carentes, vazios...

Homens desesperados, impotentes

Ante a magnitude do assalto

Dor profunda!

E o homem tão pequeno...

Prisioneiro da cena

Da imperiosa destruição

Suspenso, no espanto, mudo

O pavor estampado na face

A incredulidade...

O grito que escapa, os lamentos...

Na fúria das águas, a devastação

No refluxo, os corpos tragados

inertes, ou não.

Foram varridos milhares!

Da Malásia à Índia castigou o oceano

Avançando inclemente

alcançou a Tailândia, Myamar

Do Golfo de Bengala às Maldivias e Sri Lanka

Roteiro monstruoso de vítimas traçou

Na passagem das gigantescas ondas

A impiedosa Rainha assomou

Sacudindo toda a costa e findou

Findou o desatino, o maremoto

Deixando um rastro de horror.

Agora resta o labor, a busca

A cura e a luta

contra as infecções e epidemias

Outra rota de sofrimentos...

E dizem que tudo é passageiro

Essas ondas não passarão jamais

Escreveram uma história dura demais

Muitas desventuras ficaram

Não serão recuperadas as lágrimas

em que foram lavadas tantas perdas.

Senhor! Acolhe em seu seio todas as vítimas

Maria, segura em seu colo nossas criancinhas

Abençoa, Pai, os que se salvaram

Perdoa-lhes o choro e conforta-lhes a dor

Ajuda-nos a ajudá-los.

Amém!

 

 

São Paulo - Brasil

29/12/2004

 

 

 

 

 

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