Tantos caminhos...

Flori Jane

 

 

Caminhos preteridos,

Que não percorri

Opções descartadas,

Sonhos desfeitos

Descobertas que não fiz,

Vida que não vivi

Tantas coisas esquecidas...

Deixadas de lado, sem vida

À parte, perdidas,

Não experimentadas, não quis.

Preferi outros caminhos

De sonhos contrários, talvez

Segui caminhos diversos,

Alguns controversos

Caminhos em que me perdi

Trilhados na indecisão.

Escolhas feitas em vão

Que não levaram a nada.

Caminhos pela vida impostos

Caminhos sem volta

Portas transversas

Algumas fechadas ou meio abertas

Desilusão, sorte adversa

Desdita, opção maldita

Caminhos circulares

Que me trouxeram de volta

Aos antigos dilemas

Medidas ineptas, deixando-me alerta

Em prontidão

Inútil, defesas falidas

Ilusão!

Caminhos cruzados, emaranhados

Laços mal feitos, desfeitos

Quantos caminhos...

Quantos!!!

Na imensa vastidão

Do universo de caminhos

Que podemos percorrer

E se de alguns me afastei

Por outros me aprofundei

De encantos me fartando

Na saga em que me embrenhei

Pisei tanta terra boa!

Em verdes prados caminhei

Colhi frutos benditos

De farta semeadura

Amei, sonhei, sorri, chorei

Vivi!!!

Vida dividida que multiplicou conquistas

Vôos alçados, alguns arriscados

Sementes plantadas, enraizadas

Caminhos sofridos, com fé percorridos

Caminhos presenteados

Com laços de fita atados

Quantos caminhos...

Quantos!

A tantos me entreguei...

De peito aberto, alma lavada

Braços erguidos em prece e agrados

Ah...os abraços...

Em muitos me aninhei

Abraços amigos, queridos

Carinhos compartidos!

Quantos caminhos

Quantos!

Por tantos eu caminhei

Em tão poucos encontrei

A paz que eu procurava

Os amores que amei

Tantos caminhos...

Tantos!

E por tão poucos,

Bem poucos

Te encontrei.

No multifacetado caminho

Que tem sido a minha vida

Com tantas lutas inglórias

Tantas batalhas perdidas

E algumas tantas vitórias

Continuo tentando fazer de minha vida

Uma bonita história

Não são poucos os ataques desmedidos

Os revezes sofridos

No palco desse teatro particular

De tanta coisa vivida

Então, vou retirando os espinhos

Fincados fundo na carne

Curando as feridas

(algumas são incuráveis)

Que machucam ainda mais fundo

Lacerando a própria alma!

Levanto-me a cada tropeço

A cada queda me fortaleço

E me ponho de pé!

Enfrentando os desafios:

De um lado, a espada na mão

De outro, o meu coração

E a canção de uma Vida.

 

- Que outros caminhos virão?

 

 

 

02/09/2004

 

 

 

 

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