Quando te Calas
Flori Jane
Quando te calas
E cria-se este silêncio entre nós
Eu estremeço
E esta ausência que se dá
Plena, na tua presença
Configura o vácuo
que se forma em meu coração.
Meu pensamento oscila, temeroso
Sempre que te calas.
Quando te calas
O meu medo se irradia
E por um segundo
Que tem o peso da eternidade
O teu olhar distante
Perpassa pelo meu
E se finca como estaca, mais além...
Tolice o meu temor?
Essa fantasia de perder você?
Quando te calas
Calo-me também
E me desconcerto, nesse átimo
Em que a solidão se agiganta
E minha saudade de você
Se avoluma e se instala
Sem nenhuma compaixão
Estranha essa saudade...
Que se fortalece no meu receio.
E é justamente nesta hora
Em que nada acontece
Em que fico a te observar
Tão distante, sereno, absorto
É nesta hora que, por ironia
Tenho a medida exata
Do meu amor por você.
Tolice imaginar que ao retornar para mim
Você já não será o mesmo?
Quando voltas
E dizes: amor, eu fiquei
a imaginar...
Todo o receio se desvanece
O sorriso aflora
O coração se aquece
Eu me aconchego no calor dos teus braços
E revivo!
Sim, é mesmo verdade que eu renasço
Quando falas, não importa o quê.
16/02/2006
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