Poesia

Flori Jane

 

Um dia... comecei a ouvir estrelas

Foi quando conheci a poesia

Da pena encantada de Bilac

Os versos que, primeiro, eu decorei

E só depois deste velado amor

Em que o senso, por certo, eu não perdi

Meus sentidos todos se aguçaram

E a poesia alargou meus sentimentos

Hoje, a vejo em lugares variados

Incrustada como pedra preciosa

Revelando-se em termos inesperados

Na alma do poeta insinuada

Ah...soberba poesia que exala

Qual neblina que se desprende do solo quente

Quando a chuva lhe rebate caprichosa

Nas horas imprecisas do entardecer

Poesia que se recolhe às dúzias

Dos passinhos delicados

Dos olhares angelicais e risos sufocados

Das zombarias infantis

Poesia que vagueia no estalar do vento arrependido

Que acaricia, entristecido, os trigais

Embalando-os em canções de ninar

Após açoitarem, sem piedade, os cafezais

Poesia que desliza como a dama inconseqüente

Que passeia inconsciente

Do encantamento criado ao seu redor

Pelas luzes que tremulam em seu caminhar

Ah... poesia que se disfarça

E se esconde nos cabelos ralos

Das avozinhas queridas

que contemplam seu passado

Com ares de esquecidas

E enfeitam nossos lares

Com suas colchas bem passadas

De cambraias perfumadas

Poesia que se adivinha entre os casais

No toque de mãos, nos olhares

Oblíquos e doces luzires

Nos salões e sob os lençóis

Poesia que irrompe

Das raízes que o asfalto rompem

Em busca da luz solar

Poesia dos pássaros nos beirais

Poesia das borboletas destemidas

Que se lançam ao desabrigo

Arriscando-se à Vida

Ao vôo, à liberdade

Poesia que vara os tempos

Que se aninha nas ruínas dos templos

Que desponta no dia-a-dia

Que resplandece no anoitecer

Ah...Poesia

"poiesis"

Do poeta loquaz

Companheira contumaz.

Flori Jane

São Paulo - Brasil

 

 

Música: Ernesto Cortazar - Counting the Stars

 

 

 

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