Albert Moore

 

 

Sua Poesia

Flori Jane

 

E eu aqui, olhos semicerrados

A relembrar seus versos

Coração suspenso

Por fios tênues de descrença, resignação

Ou de esperança...?

Louca é a minha capacidade de esperar

E crer

Sim, daqui eu continuo

Revirando cada palavra

Em busca de um sentimento

A adivinhar por entre as linhas

Da estética imaculada dos seus versos

Algum recado, algum detalhe

A falar-me, a chamar por mim

Aqui, estática

Coração em descompasso

Revendo suas insólitas palavras

Tentando acompanhar seus pensamentos

Lutando por iludir o tempo

Elegendo categorias para cada estrofe

Buscando com olhos indulgentes

O amor em seus versos

Ah...celestiais iguarias são os seus versos

Servidos com vinhos tépidos

Traçados com requintes de um sonhador

Marcando minha incondicional reverência

E a consistência da minha crença

No que declaram seus dedos

A espargir magia nas letras

Originais que você lança no papel

Meu coração, hoje terra devastada,

E eu, aqui... encerrada

No espaço restrito do meu embaraço

Consternada, a recriar uns poucos versos

De desgastadas rimas

Em resposta aos dizeres seus

Vendo a esperança desmaiar por sobre os ombros

Qual jóia falsa a pender de algum pescoço

Fantasia interrompida

Arquiteta inclemente que sou

A condenar meus pobres versos, imperfeitos

A creditá-los em conta como

Poesia desarticulada, amordaçada

Rima artificial

Eu aqui, ainda a afrontar o tempo

Que escapa,  inexoravelmente

Pelas entranhas da minha decepção

Sentimentos dispersos, descontrolados

Admissão solene de minha imperícia

Incrédula, revejo-me a resgatar o enlevo

Da leitura ainda dos seus versos

Ávida de me consumir no fogo

Purificador das suas palavras

De lavar a alma

Nas águas plácidas do seu versejar

Reiterando o meu genuíno apreço

Por sua irretocável poesia

 

21/11/2005

 

 

Tua Poesia!

Paulo Monteiro

 

 

Para cada flor que vejo,

Em cada campo onde passo,

Recordo tua poesia

Perfumada e colorida

Oferecendo seu néctar

Para alimentar almas famintas

De luz e aconchego.

As flores são assim

Doam sua beleza,

Ofertam o seu perfume

Iluminam os caminhos...

Por isso, tua poesia é flor.

Repousada no meu peito

Aquecendo meu coração

Acalmando meus pensamentos

Alimentando os meus sonhos...

As pétalas dos teus versos

Afagam minha inspiração,

Brilham em minhas retinas

Crispam os meus lábios

Recordam nossa canção.

Quando procuro meus poemas

Nos campos de flores

Fatalmente encontro os teus.

Em alguns momentos chorando

Em outros, brincando.

E, muitas vezes, amando.

E de todas as formas

São brancos e puros

Em meio aos verdes campos

Que habitam minha mente.

Permita-me admirar

O teu valsar ao vento

Com a fronte voltada ao sol.

O bailar das rimas incontidas,

O movimento das estrofes explodidas

Em êxtase de louvores

Ao singelo ato de amar.

Coloridos são teus sonhos

Doce é o cheiro da tua criação

Que enlouquece todo mortal

Que tem a dádiva

De ouvir o teu canto.

Ah,  sublime poesia,

Leva-me para teus campos verdes

Vastos e calmos

Lascivos em seus segredos

Para em comunhão com as tuas palavras

Conceber essa pequena criatura

Que chamamos de paixão.

Doce poetisa, flor que diviso

Em cada campo que passo

Teus versos eu vejo infinitos

Nas estrelas do nosso espaço.

 

Paulo

26/11/05

 

 

 

Música - Eernesto Cortaza - Between Thorns And Roses

 

 

 

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