Sua Poesia
Flori Jane
E eu aqui, olhos semicerrados
A relembrar seus versos
Coração suspenso
Por fios tênues de descrença, resignação
Ou de esperança...?
Louca é a minha capacidade de esperar
E crer
Sim, daqui eu continuo
Revirando cada palavra
E
m busca de um sentimento
A
adivinhar por entre as linhas
Da estética imaculada dos seus versos
Algum recado, algum detalhe
A falar-me, a chamar por mim
Aqui, estática
Coração em descompasso
R
evendo suas insólitas palavras
Tentando acompanhar seus pensamentos
Lutando por iludir o tempo
Elegendo categorias para cada estrofe
B
uscando com olhos indulgentes
O amor em seus versos
Ah...celestiais iguarias são os seus versos
Servidos com vinhos tépidos
Traçados com requintes de um sonhador
Marcando minha incondicional reverência
E a consistência da minha crença
N
o que declaram seus dedos
A
espargir magia nas letras
O
riginais que você lança no papel
Meu coração, hoje terra devastada,
E eu, aqui... encerrada
N
o espaço restrito do meu embaraço
Consternada, a recriar uns poucos versos
D
e desgastadas rimas
E
m resposta aos dizeres seus
V
endo a esperança desmaiar por sobre os ombros
Q
ual jóia falsa a pender de algum pescoço
Fantasia interrompida
A
rquiteta inclemente que sou
A condenar meus pobres versos, imperfeitos
A creditá-los em conta como
P
oesia desarticulada, amordaçada
Rima artificial
Eu aqui, ainda a afrontar o tempo
Q
ue escapa, inexoravelmente
Pelas entranhas da minha decepção
Sentimentos dispersos, descontrolados
A
dmissão solene de minha imperícia
Incrédula, revejo-me a resgatar o enlevo
D
a leitura ainda dos seus versos
Ávida de me consumir no fogo
P
urificador das suas palavras
D
e lavar a alma
N
as águas plácidas do seu versejar
R
eiterando o meu
genuíno apreço
P
or sua irretocável poesia
21/11/2005

Tua Poesia!
Paulo Monteiro
Para cada flor que vejo,
Em cada campo onde passo,
Recordo tua poesia
Perfumada e colorida
Oferecendo seu néctar
Para alimentar almas famintas
De luz e aconchego.
As flores são assim
Doam sua beleza,
Ofertam o seu perfume
Iluminam os caminhos...
Por isso, tua poesia é flor.
Repousada no meu peito
Aquecendo meu coração
Acalmando meus pensamentos
Alimentando os meus sonhos...
As pétalas dos teus versos
Afagam minha inspiração,
Brilham em minhas retinas
Crispam os meus lábios
Recordam nossa canção.
Quando procuro meus poemas
Nos campos de flores
Fatalmente encontro os teus.
Em alguns momentos chorando
Em outros, brincando.
E, muitas vezes, amando.
E de todas as formas
São brancos e puros
Em meio aos verdes campos
Que habitam minha mente.
Permita-me admirar
O teu valsar ao vento
Com a fronte voltada ao sol.
O bailar das rimas incontidas,
O movimento das estrofes explodidas
Em êxtase de louvores
Ao singelo ato de amar.
Coloridos são teus sonhos
Doce é o cheiro da tua criação
Que enlouquece todo mortal
Que tem a dádiva
De ouvir o teu canto.
Ah, sublime poesia,
Leva-me para teus campos verdes
Vastos e calmos
Lascivos em seus segredos
Para em comunhão com as tuas palavras
Conceber essa pequena criatura
Que chamamos de paixão.
Doce poetisa, flor que diviso
Em cada campo que passo
Teus versos eu vejo infinitos
Nas estrelas do nosso espaço.
Paulo
26/11/05