Dicksee - The End of the Quest

 

 

Esse dueto surgiu de uma brincadeira.

Desafiei meu amigo e poeta Paulo Monteiro a duetar comigo,

sem antes ler o meu poema. Dei-lhe apenas o título que deveria usar.

Eis abaixo o resultado:

 

Quando te Calas

Flori Jane

 

Quando te calas

E cria-se este silêncio entre nós

Eu estremeço

E esta ausência que se dá

Plena, na tua presença

Configura o vácuo

que se forma em meu coração.

 

Meu pensamento oscila, temeroso

Sempre que te calas.

 

Quando te calas

O meu medo se irradia

E por um segundo

Que tem o peso da eternidade

O teu olhar distante

Perpassa pelo meu

E se finca como estaca, mais além...

 

Tolice o meu temor?

Essa fantasia de perder você?

 

Quando te calas

Calo-me também

E me desconcerto, nesse átimo

Em que a solidão se agiganta

E minha saudade de você

Se avoluma e se instala

Sem nenhuma compaixão

 

Estranha essa saudade...

Que se fortalece no meu receio.

 

E é justamente nesta hora

Em que nada acontece

Em que fico a te observar

Tão distante, sereno, absorto

É nesta hora que, por ironia

Tenho a medida exata

Do meu amor por você.

 

Tolice imaginar que ao retornar para mim

Você já não será o mesmo?

 

Quando voltas

E dizes: amor, eu fiquei a imaginar...

Todo o receio se desvanece

O sorriso aflora

O coração se aquece

Eu me aconchego no calor dos teus braços

E revivo!

 

Sim, é mesmo verdade que eu renasço

Quando falas, não importa o quê.

 

Flori Jane

São Paulo – Brasil

16/02/2006

 

 

Quando me Calo

Paulo Monteiro

 

Quando me calo

Sinto frio.

Não posso te falar de amor

Meu caminho torna-se sombrio

Meu grito aprisionado

Não pode te pedir perdão.

Quando me calo

Sinto medo.

Em não te levar o meu canto

E não dividir o meu segredo.

De não achar-te no caminho

De morrer de amor sozinho.

Quando me calo

Sinto a solidão

Ferindo o sentimento.

Apertando forte o coração

Sufocando minha paixão

Exilando meu pensamento.

Quando me calo

Sinto saudade

Dos teus olhos pequenos

Dos abraços serenos,

Das juras de verdade.

Do destino que jurou

Jamais nos separar.

A promessa que selou

O nosso versejar.

Quando me calo

Sinto a esperança

Na tu’alma habitar.

Adormecer em teu relento,

Perder-me em teus sonhos

Em uma infinita bonança.

Beber cada momento

Sentir cada alegria

Da nossa linda nostalgia.

Quando me calo

Sinto saudade,

Da tua suave beleza,

E tua serena tristeza.

Dos prados floridos,

Dos nossos planos esquecidos.

Conceda-me de amor as tuas falas

E assim saberei que quando calas

Anuncias as núpcias das nossas almas

Nos ventos mornos das noites calmas...

O silêncio já não existe, somente a magia

Da união da nossa poesia.

 

Paulo

São Paulo – Brasil

25/02/06

 

Imagem - Dicksee - The End of the Quest

Música - Adágio

 

 

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