Fale-me do amor
Que, tão evidentemente, o seu olhar denuncia
Renda-se ao sentimento que se insinua
Na carícia suave, que as suas mãos
conclamam
E que o leve tremor que te acomete
Antecipa, quando estás comigo.
Ou silencia, se assim o preferir
Da sua palavra posso, agora, prescindir
Já ouvi o suficiente para ser feliz pela vida
afora
Tenho provisões para o resto de minha história
Estarei para sempre remetida ao encanto daquele
dia
Daquele inesquecível encontro
Em que sua alma escapou-lhe, lábios afora
E você conseguiu dizer-me
Palavras de amor
Não me lembro de alegria maior, de felicidade
tamanha
Após o amor, você sentou-se na cama
Silenciou por momentos, com o olhar fugidio,
De vergonha, talvez, ou medo de declarar-se,
não sei
E assim, inverteu na fala o seu sentimento
pleno
E inundando minh' alma de enternecedora alegria
Revelou com profunda e imperceptível ternura
O que antes julgara impronunciável:
- Você é o amor na minha vida!