Pai

Flori Jane

 

É Natal

E diante de Teu filho bem-amado

Quero abrir meu coração

Este mesmo coração que tão bem conheces

Quero expor minha alma

E calar de uma vez toda descrença

Toda vaidade e desesperança

Quero baixar a guarda e deixar inoperantes as defesas

Colocar-me novamente ingênua diante da vida

E diante de Ti, colocar-me qual uma criança

Quero silenciar todas as queixas

Renunciar ao culto da auto piedade

E amaciar os golpes do destino com resignação

Para merecer o Teu perdão

Quero, meu Pai, acolher o meu irmão

Nas horas mais intransigentes

Bem naquele pior momento

Em que a incompreensão aflora e todos se perdem

Quero impugnar meu próprio orgulho

Minha impaciência e meu deboche

Faça-me imune, Senhor, ao meu pior elemento

Torna-me livre da ganância e do desejo de poder

Poupa-me da ignorância e do desamor

Quero tornar-me tão pura quanto minha alma imortal

Quero descartar meus privilégios

Como o fez Teu filho amado

Toca-me o coração, Senhor,

Tornando-o ávido por disseminar a fé

E toca com Teu espírito o coração dos homens

Amansa-os para que o mundo não termine em guerras

E o respeito pela vida

Possa triunfar sobre o egoísmo humano

Senhor, dá-lhes um pouco de Tua compreensão

De Tua Paz, de Tua própria Luz

Senhor ajuda-nos a suportar a dádiva de sermos Teus filhos

De sermos feitos à Tua própria semelhança

Ajuda-nos a conviver com nossa própria divindade

Que é tê-Lo em nós pelo sopro da Vida

Que nos animou quando viemos à LUZ

Senhor!

Recria-nos, se preciso for

A exemplo de Teu filho, nosso Natal.

Apenas o Teu olhar bendito

E renasceremos para Tua Glória,

AMÉM!

 

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Este poema integra a Ciranda Natal Solidário

de Olga Kapatti

 

 

 

 

 

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