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O vento Flori Jane
Naquele dia o vento esgotou suas forças Sua ira era imensa, o impacto descomunal Então, finalmente, a impassibilidade... Deu de ombros e descansou sobre os destroços
Um menino passou procurando sobras O ventou arfou, constrangido, pela fúria incontida E penalizado, lamentou os estragos
Seus argumentos eram vagos, pensou Obedecera ao impulso momentâneo Cumprira seu destino, seu papel A natureza às vezes é cruel, quando faz sua parte, ponderou
Naquele dia o vento não carregou aromas de flores ou ambrosias Arrastou o terror e o cheiro de morte atrás de si Deixou um rastro de dor e confusão
Por incontáveis minutos sua face encrespou-se Esqueceu de sorrir, sem saber ao certo A que pretexto derramou sua ira sobre o mar Nem mesmo em seu íntimo lia-se uma resposta
E assim como encorpou-se e destruiu tudo à sua volta Abrandou-se, rarefez-se e silenciou Quedou-se, mudo, sem pretensão de explicar-se
O seu espanto era genuinamente sincero Ao constatar o efeito devastador do seu destempero Mas logo deixou de especular sobre os seus motivos E agradeceu pela paz que sentia, afinal.
Olhou, soberano, para o horizonte E um sorriso quase amoroso desenhou-se em seu rosto O menino encontrara os restos do seu carrinho
As pessoas acorreram, aos poucos, avaliando as perdas E se puseram a percorrer as ruínas, planejando a reconstrução O vento, com um olhar enigmático, contemplou a devastação Uma ave piou, quebrando o silêncio gerado pelo espanto
E naquele mesmo dia, tudo voltou ao normal.
20/03/2007
Image Copyright © by Camille Kuo Música - Paz - Sérgio Lopes
Este poema faz parte da Ciranda "O Vento", da
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