Apresento-lhes o meu país, minha
pátria
Meu porto de tradições e de
lembranças
Minha casa de referência, meu lar
Um gigante de belezas descomunais
Verdejantes matas, cujas densas
cabeleiras
Oscilam ao murmúrio doce do vento
Vento aprazível, que derruba sobre os mares
o delicioso cheiro dos cafezais
Céu de anil impecável,
refletido nas águas cristalinas das
cascatas
Terra farta, solo fértil, celeiro do
universo, dizem
Falo do meu amado Brasil
e do meu orgulho em ser brasileira,
subtraídos todos os apesares
Canto o meu país, a minha nação
De tão propalada grandeza
Terra do esplendor, das palmeiras e
dos sabiás
Fonte de uma riqueza ingênua e
confiante
País generoso, que acolhe a toda
gente
Gente de toda índole, gente pura e
gente infame
Falo dessa terra boa e explorada
Dos extremos de sua gente
Dos preconceituosos e das almas
nobres
Das coisas simples e dos
despropósitos
Falo do peso e do poder das mãos do
bem-feitor
Das conquistas, do progresso e do
crescimento
Mas falo também do que mais há para
ser falado
Da terra estalando nas agruras da
seca
Das enchentes dominando as capitais
Da estagnação e dos retrocessos
Das perdas engendradas contra
as minorias
Da intimidação, dos assaltos e
sobressaltos
Do povo vitimado e dos caídos em
desonra
Das feridas rasgadas em seu ventre,
desde sempre
Ah...se o meu país pudesse pedir
socorro
Seu grito seria ouvido em todos os
continentes!