Recuo no tempo, e ainda o surpreendo
Ultrajado, abatido, orgulho ferido
Gentilmente, repreendo seu gesto obsceno
Acolho sua queixas, seus repentes
Depois te recompões e nos calamos
Ainda magoados, caminhamos
Mãos dadas, mentes amortecidas
Os espinhos penetrando as antigas feridas
O vazio assombrando o silêncio da noite
Que habita em nós!
Quando se aquietarão nossas dores?
Se mesmo compartilhadas
Ainda nos corroem por dentro
Solapando nossas vidas
Arqueando-nos sem respeito
Penalizando o nosso leito
Fazendo-nos insones e aflitos
Quando encontraremos algum alento?
Se a cada madrugada
A lembrança aterradora nos invade
Trazendo em cada rajada, um vento
Que recende a pedaços esparsos
Daquilo que um dia ousamos sonhar
E a vida teimou em arrebentar.
22/11/2004