Madrugada

Flori Jane

 

Recuo no tempo, e ainda o surpreendo

Ultrajado, abatido, orgulho ferido

Gentilmente, repreendo seu gesto obsceno

Acolho sua queixas, seus repentes

Depois te recompões e nos calamos

Ainda magoados, caminhamos

Mãos dadas, mentes amortecidas

Os espinhos penetrando as antigas feridas

O vazio assombrando o silêncio da noite

Que habita em nós!

 

Quando se aquietarão nossas dores?

Se mesmo compartilhadas

Ainda nos corroem por dentro

Solapando nossas vidas

Arqueando-nos sem respeito

Penalizando o nosso leito

Fazendo-nos insones e aflitos

 

Quando encontraremos algum alento?

Se a cada madrugada

A lembrança aterradora nos invade

Trazendo em cada rajada, um vento

Que recende a pedaços esparsos

Daquilo que um dia ousamos sonhar

E a vida teimou em arrebentar.

 

22/11/2004

 

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