Grandes Esperanças

Flori Jane

 

Temos grandes esperanças para a raça humana

Acalentamos sonhos de proporções generosas

Vislumbramos conquistas e realizações esplendorosas

Sonhamos sonhos que nossos antepassados jamais ousaram alimentar

 

 

Pertencemos a um geração de criações apoteóticas

De imaginação pródiga, que beira as raias da insensatez

Do fantástico jamais outrora concebido

De conhecimentos contestados e de grandes verdades proferidas

 

 

Somos os detentores de uma tecnologia admirável

Nossos pés, pelos pés de destemidos astronautas

Pisaram o solo lunar, cruzaram galáxias

Já atingimos, neste universo, pontos tão distantes...

 

 

Fomos tão longe e, no entanto, ainda estamos tão perto

Tão perto de cometer atrocidades

De compactuar com abusos e tolerar iniqüidades

De colher o fruto amargo da devastação e do ódio que nos assola

 

 

Mas ainda assim temos grandes esperanças para a raça humana

Esperança de resgatar do sofrimento prolongado, tantas crianças abandonadas

Esperança de abolir ideologias separatistas

De combater os atentados contra a natureza e o homem

 

 

De garantir que a ética e os valores se sobreponham ao preconceito

Ao desrespeito à vida e integridade do ser humano

Sim, ainda temos esperança de que as religiões

Sejam fonte de convergência e amor ao próximo

 

 

Ainda temos esperança de cura para a nossa doença

Temos esperança de que a diferença não se constitua em fronteira

Que haja comunhão entre os povos de todas as línguas

E que a justiça seja a nossa única bandeira

 

 

Temos esperança de que possa o homem viver com dignidade

E que o bem consiga sempre sobrepujar o mal

Que os olhares se encontrem e não mais se desviem

Que as mãos se toquem e não mais se harmonizem na agressão

 

 

Que os braços se enlacem, envolventes, e não mais se distanciem

Que os lábios comunguem solidárias preces

Que os corações se unam com eloqüência nas asas da humildade

E que  amor seja o caminho, uma miríade de estrelas a brilhar no céu de cada um de nós

 

 

Que a alegria possa refletir-se no riso de nossos velhos e nossas crianças

A  desesperança e a dor sejam relegadas ao esquecimento

Que a cada manhã possamos, em uníssono, reescrever a nossa história

Pois ainda são grandes as nossas esperanças para a raça humana.

 

 

 

13/12/2004

(Poema dedicado a meu filho Guto que, hoje, aniversaria)

 

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Este poema faz parte da

Ciranda Ano Novo - Esperança de Paz,

de Olga Kapatti

 

 

 

 

 

 

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