Fera
Flori Jane
A fera
que habita o meu seio
E que a custo refreio
A fera que impera obscura
Nas sombras, por eras
É, deveras, real.
A fera que me obriga
A rasgar fronteiras
E romper barreiras
A fera que silencia
E que me entorpece
A fera que abriga
Minhas dores mais sentidas
É real.
E o medo que me impele
A buscar por ela
Atrás dos muros que construo
Na incerteza que me atrela
Por motivos escusos...
Sem recursos, na escuridão
Ao pé da própria fera
Também é real.
A fera que eu quero dominar
A qualquer custo, moldar
Essa poderosa criatura
Que eu quero conter
Que habita no silêncio
E se manifesta no urro
No pavoroso uivo que amedronta
E desmonta qualquer um
É, por certo, real.
- Aproxima-te, fera !
Atroz é a espera
Quero vê-la de perto
Fitá-la nos olhos, direto
- Acerca-te !
Enfrenta-me agora
Quero abraçar-te bem forte
Superar o meu terror
Livrá-la do desabrigo
E amansá-la c'o amor.
15/08/2004