Divina graça
A de ter nascido
mulher
Trilhar com o
ventre fecundo
A senda do amor
maior
Doar a vida e a
vida vigiar
Da criança que
cresce
Rapidamente
floresce
Semeia o mundo de
graça
Assumindo com
audácia
os percalços do
amanhã

Honrosa tarefa
A de manter a chama
da vida
A despeito de
tudo, acesa
Preservando a
delicadeza
Do lugar feminino
Nos embates da
luta diária
E nas conquistas
intermitentes
Das disputas
imprudentes
Que a trama da
vida moderna
Exige de uma
mulher

Quanta serenidade
empregada
na quebra dos
preconceitos!
Quanta coragem
urdida
Ao superar os
desafios com jeito
Controlando os
sentidos, o receio
De avançar, pelas
colinas, altiva
E, pioneira, abrir
espaços, ferir fronteiras
Romper os laços da
dependência
E, com decência,
continuar cuidando
dos outros, do
lar.

Filha, fiel
companheira
Tantas vezes em
lágrimas afogada
Lágrimas por
demais amargas
Engolindo o travo
da dor
No silêncio severo
do frustrado desejo
Das ilusões
partidas e sonhos desmoronados
Das esperanças
perdidas e ainda assim
No desvelo
permanente
De seus
descendentes
De seu grande amor

Ainda tão menina,
ter que lutar
Conservando a
doçura e o brilho do olhar
Serena menina,
suave mulher
Pequenina e, no
entanto, guerreira
A um só tempo
solícita, envolvente
Amorosa
mulher-amante, ardente,
Enfrentando as
ventanias
Cruzando
imaginários continentes
Para chegar ao
destino suposto
Como
vencedora, ave protetora

Porque repousa
inteira, tão lúcida
Sobre os restos de
todos os confrontos
Sobre os destroços
disformes
das derrotas
sofridas,
dos caminhos
interrompidos,
dos sorrisos
mortos,
das lágrimas
vertidas.
Ressurgindo
intacta, impertinente
coluna ereta,
olhar confiante,
desafiador