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(Des-)Encontro
A noite avança sutilmente
Lembrando uma donzela recatada
E as flores perfumam docemente
Deixando a donzela inebriada.
Cintilam, sem parar, milhões de estrelas
Tecendo um lindo véu e uma tiara
Que adorno! Como beleza se escancara
Nas honras à donzela descuidada.
Anônima, um luz risca o céu
Tornando a noite ainda mais bela
Sem dúvida, o cenário apropriado
Pra vinda do fiel enamorado.
E nesse caminhar tão indolente
Aos poucos, no horizonte vai surgindo
Aquele que arrebata sem cautela
De todas as damas, a mais bela.
As estrelas suspiram, cuidadosas
E a lua, antes tão esplendorosa
Cede espaço ao algoz dos seus amores
Que busca pela amada em meio às flores.
Etérea, a donzela apaixonada
Na aurora, aos poucos vai sumindo
Amanhece, a noite se recolhe
Desapontado, o dia vai surgindo.
Perdura no ar um sentimento
De perda e dor incontroláveis
Se ambos, noite e dia, se amam tanto
Como falham, desde sempre, nesse encontro?
Mas ante sentimento tão intenso
Os Deuses se constrangem, apiedados
Deixando noite e dia consagrados
Mesmo distantes, eternos namorados.
Pensando a respeito, no momento
Revejo em detalhes nossa história
Que os Deuses compreendam meu tormento
E unam, num encontro, nossas almas.
Flori Jane
12/08/2004
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