Alegria

Flori Jane

 

Alegria incontida

Essa é a leitura que eu faço

Do rosto que me sorri do retrato

Olhos vivos, repletos de luz multicolorida

Explodindo esperanças sem medida

Emudeço ante a eloqüência desse olhar sereno

De certa forma, ingênuo

Iluminando a foto desbotada pelo tempo

Ah...que saudade dos idos de antigamente

Em que o riso brotava como semente

Olhando esses mesmos olhos agora

Magoados, cansados

No reflexo embaçado desse espelho

Penso que mal reconheço

Essa imagem desgastada

Esse sorriso acanhado, muitas vezes forçado

Essa tristeza insolente

E o esforço para reverter a decepção

Na face estampada

De forma assim tão evidente

Onde a alegria?

Antes imperturbada, inquieta

Agora fugidia,

Fugaz....

Onde o riso solto

A cada descoberta

Se a ventura, agora, é tão incerta?

Como recuperar a alegria

Que parece para sempre perdida?

Como devolver a essa mulher

Que me olha do espelho

Tão exaurida

 A mesma flama diante da vida?

Essa é a pergunta que me faço

A cada dia de cansaço

A cada nova desilusão.

 

16/09/2004

 

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