Alegria incontida
Essa é a leitura que eu faço
Do rosto que me sorri do retrato
Olhos vivos, repletos de luz
multicolorida
Explodindo esperanças sem medida
Emudeço ante a eloqüência desse olhar
sereno
De certa forma, ingênuo
Iluminando a foto desbotada pelo tempo
Ah...que saudade dos idos de antigamente
Em que o riso brotava como semente
Olhando esses mesmos olhos agora
Magoados, cansados
No reflexo embaçado desse espelho
Penso que mal reconheço
Essa imagem desgastada
Esse sorriso acanhado, muitas vezes
forçado
Essa tristeza insolente
E o esforço para reverter a decepção
Na face estampada
De forma assim tão evidente
Onde a alegria?
Antes imperturbada, inquieta
Agora fugidia,
Fugaz....
Onde o riso solto
A cada descoberta
Se a ventura, agora, é tão incerta?
Como recuperar a alegria
Que parece para sempre perdida?
Como devolver a essa mulher
Que me olha do espelho
Tão exaurida
A mesma flama diante da vida?
Essa é a pergunta que me faço
A cada dia de cansaço
A cada nova desilusão.