Eire morreu... Nasceu Sóror dos Anjos

Rosa Magaly Guimarães Lucas
(Eire)

 

Eire morreu! Nasceu Sóror dos Anjos,
Trapista, pois não fala, e que humildade,!
Somente se revela às horas santas,
Quando ora, ou entoa cânticos a Deus.!
Dizem que ao ouvir seus hinos os arcanjos
A ela se achegam, e que amabilidade,
Calam suas vozes, e às mãos sacrossantas
Da jovem freira põem arcos-de-Deus!

 

 

Ela é tão linda! De expressão serena,
Porte gentil, olhar tão recatado,
Faces coradas, lábios tão vermelhos,
Só ergue a voz em falando ao Senhor.
Se alguém a vir, a julga uma açucena,
Nascida num jardim lindo, encantado,
Através dessa flor, virão conselhos,

Em voz suave, meiga, de amor.

 

 

Já Eire, era alegria, amava a vida,
O canto, a liberdade, o equinócio,
À dança, flores, a fogueira, e as lendas,
Sobre as fadinhas, trevos, sacrifício...
Sonhava achar “A Árvore da Vida”
Que a levaria à luz, ao sacerdócio,
Sem mais fazer aos deuses oferendas,
Pois convertida fora por Patrício.

 

 

Era a irlandesa, teimosa e aguerrida,
Cheia de sonhos, magia, e os Duendes,
A amavam tanto que a todo o instante,
Saltavam e riam se ela aprecia.
Eire, a mimosa, era do amor guarida,
Se a vires, por certo, teus olhos acendes,
E o coração te queda palpitante,
Ante a rainha do Amor e da Alegria.

 

 

No entanto, as fadas, os magos, e druidas,
Não aceitaram seu desaparecer;
E através de suas ervas, e porções,
De rodas à fogueira e muita prece,
A Eire devolveram sete vidas,
Como se assim jamais fora morrer...
A ela entregaram os seus corações,
E com ela sonham quando a noite desce.

 

 

Pediram aos deuses que Eire e a freirinha
Formassem em um só corpo, e um só espírito,
Um só ser, misto de alegria e luz,
Respeitando a Deus e aos “pequeninos”.
Tanto pediram os magos e as fadinhas,
Aos deuses dando um amor irrestrito,
E por Patrício, a respeitar Jesus,

Todos eles sopros diamantinos.

 

 

 

Assim renasceu Eire, à beira mar,

Trazendo dentro em si Sóror do Anjos,
Trapista trazendo em si a humildade,
No Mosteiro sisudo e tão distante.
Ambas gostavam tanto de cantar,
Eram tão lindas qual se foram arcanjos...
E tão ditosas qual Felicidade,
A terra, a água, o céu, o povo, a amar!

 

 

 

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