Caymirim
Rosa Magaly Guimarães Lucas

Eire

 


(Pensando em Luiz Antonio e tempos felizes)
 


De minha vida parte foi-se embora
a se perder nas brumas da saudade
de um tempo feliz, não como agora
que não te vejo mais, Felicidade!
Quando jovem, eu tinha tanto em mim,
ânimo, alegria, e esperança...
Aos poucos volto a ti, Caymirim,
como alguém que se perde, uma criança,
por uma terra estranha e sem fim.
Eis-me aqui só, triste alma esfarrapada
a me sentar num banco em pau-marfim,
a ver o gado que vem pela estrada
mugindo num tom triste, lamuriado...
A minha vida aos poucos se termina
e junto a ela o dia ensolarado
que aos poucos, como a vida de menina
vai se perdendo no mato cerrado;
e com ela se vão os mais risonhos
momentos que vivi  por esses campos;
E o sono vem, vai me tingindo os sonhos,
com o cheiro de terra; e a luz de pirilampos.
Sinto do sol o calor, percebo-lhe o brilho,
sinto em minh’alma a brasa escondida,
que me queimou  quando se foi meu filho,
um pedaço de mim, da minha vida.
E  imagino o verde, a paz,  a cachoeira
que jamais hei de ver... eu nada tenho...
Tudo o que me seguiu a vida inteira
queimou-se no caminho qual um lenho

 

Recebida a 12/01/2004
 

 

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