Desfolharam-se n'alma as
flores da ilusão
E nem resta ao coração triste
e saudoso
Daquele amor tão doce e tão
risonho o suave perfume de uma recordação.
Em ti eu já não penso, és para
mim um sonho que morreu
Porém quero ver se ainda me
lembro como tudo se deu.
A noite é clara e enluarada,
mas que me importa?
se estou aqui só como uma
cousa morta?
... numa noite como esta eu estava a sonhar junto de ti
Sob a luz do teu
ardente olhar.
Um aroma de lírios embalsamava
o ar
E havia um não sei o que de
mágoas e poesias
Na noite muito clara vestida
de luar
Não sei que singular enleio me
tomava junto de ti
De repente as nossas mãos se
entrelaçaram,
nossos rostos se aproximaram e
nossos lábios quase se tocaram.
Depois medrosa recuei...
fugi...
Desviei os meus olhos dos teus
olhos
Nossos lábios trementes se
calaram
Desuniram-se as nossas mãos
geladas
E os nossos corações também se
separaram
Um abismo insondável abriu-se
entre nós
Ainda julguei ouvir ao longe a
tua voz.
Depois tudo sumiu...tudo se
fez em pó, e senti-me tão triste...e senti-me tão só...
Ao folhear agora o livro da
minha vida
Quis lembrar-me de ti sombra
morta e esquecida
Mas não pude!...de minha 'alma
apagou-se a tua imagem
Tenho mesmo a impressão de que
nunca te vi?!...
Sob o palor da lua a terra
sonha
E minh'alma nostálgica e
tristonha
Em vão se esforça por pensar
em ti
Não posso, nem se quer me
lembro do teu nome?
Chego a julgar ate que não te
conheci!...
O mesmo aroma de lírios vaga
no ar
Da noite morta vestida de
luar,
Como naquela noite...Em que
sonhei de amor junto de ti
Noite azul...céu estrelado...
luar....melancolia
Foi numa noite assim que te
esqueci.
Poema enviado por:
Maria
Helena Vieira