Amanhã

 

Celen Orives

 

 

Amanhã, é o dia das promessas, o refúgio da preguiça, o amparo do que deve, o consolo do que sofre, o temor dos que são felizes.
Amanhã, é um dia muito distante; é o dia que vem depois do último dia.
Amanhã, é o dia das promessas de amor, das ameaças, dos propósitos; prazo constantemente aberto às nossas debilidades, às nossas penas e alegrias.
Amanhã, é um dia inesgotável; é a saída de todos os apuros: é o dia em que se fará tudo aquilo que o homem se propôs a fazer.
Amanhã, é uma espécie de perspectiva que se descobre a certa distância...
Amanhã, é um temor, um desejo, uma esperança.
Amanhã, é uma ilusão cuja realidade é hoje.
Por mais voltas que tenha dado o calendário, e com ele conseqüentemente, a marcha vertiginosa do tempo, nunca se pôde criar mais que um dia - hoje.
Em troca, os homens - em paradoxal atitude - criaram um outro dia - amanhã.
E que coisa singular e sugestiva! Quem mais tem trabalhado junto ao ser humano, na criação desse fantástico e fabuloso dia, tem sido a desilusão, a preguiça, a esperança...

 

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