MULHER

 

 

Teus olhos são a expressão da vida

Do teu passado incompreendido

Das injustiças sofridas

Tuas mãos, são as armas do labor

Do carinho disciplinado

Calejadas pelas ferramentas

Amaciadas pelo amor

Teu corpo é a voz da esperança

Quantas vezes mal tratado

Explorado, ignorado

És um todo, torneado por linhas

Mais ou menos bem delineadas

Por todos apreciadas, deleitadas

E cantadas.

Quantos hinos te fizeram?

Quantas estrofes te cantaram?

Quantas vezes te esculpiram ou pintaram?

Quantas vezes foste musa?

Muitas vezes usada

Sem Justiça

Nunca autorizados.

E eu

Poderei fazer-te igual?

És Mulher

És Mãe, filha, esposa

És aquela que passa

Que olhos percorrem e invejam

Mas sempre sacrificada

Na hipocrisia das palavras

Das imagens ou de um dia

Em que és lembrada.

 

No resto continuas igual

E te afirmas com coragem

De ser MULHER.

 

 

Luís Paiva Adães

22/03/03

adaes.luis@netc.pt

 

 

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