A Bela se Estreita a Mim


a bela se estreita a mim
com sua pele dourada
olhamos o mar sem fim
que se perde na estrada

unimos os nossos lábios
nossas mãos se entrelaçam
em um pacto secreto
nos amamos

somos jovens
a vida é bela e serena
rimos em altas vozes
de qualquer coisa pequena

expandimos nosso futuro
às fronteiras
mil
vivemos em uma terra
chamada
Brasil

no olhar da bela
nossa esperança
de muitos dias futuros
unidos em próspera
abastança

o mar sorri da nossa juvenil
doçura
ele traz
em suas entranhas
segredos e riquezas
e nos segreda ao ouvido
o rumo
a seguir

para nos servirmos
à mesa
dos frutos do seu seio
e de outros também
que se espalham
sem receio

por essas terras
repletas
de tantas espécies
várias

em seu ventre a bela
traz
o filho da nossa união
um curumim
sorridente
sem medo do mar
que pescará peixes
com o veneno
do timbó

ele é nosso futuro
sem fim
e também da nossa pátria

povoamos essas terras
virgens
que se perdem em um horizonte
sem fim

escrevemos nosso futuro
a cada dia
com nosso suor
nosso amor
e nosso sorriso puro

o mar é nosso amigo
a nossa terra também
os frutos nos esperam
maduros e abundantes

e os animais da floresta
são nossos amigos de infância
nosso porvir se abre
até as eras vindouras

pois nossas almas são boas
e pertencem à nossa Terra
que conosco confraterniza
a cada dia e minuto

eu e a bela vivemos
em um momento único
que é o agora e o amanhã
tudo é o mesmo tempo
nesse nosso amor natural

que engloba
nossa mãe
natureza
nosso pai
o sol
e o sal
do nosso mar

 

 

 

Algo Mudou

Na fresta do muro
a cidade apagada
num nevoeiro
pontas de prédios
simétricos

uma lua negra
entre cinzas
das minas

cavalgo em meu luto
discreto
tropeço na minha capa
pesada

flores para quem
partiu
dentro do mistério

as crianças
se espantam
junto com o pai

quantos raios
e trovões
protestam

no bar se ouvem
risadas

a terra espera
gentil

foi pouco o tempo
do fim

mares e mundos
desconhecidos
além do muro
e da cidade
a esperam

o galo a galinha d’angola
o pequeno cão
dormem
algo mudou
apenas sentimos

 

 

 

Ela Dormia

Ao pé da estrada
ela dormia
pura e inocente
e se deixava levar
por seu sonho
ao indócil mundo
da sua alma
meiga dorida trevosa
e ao mesmo tempo luminosa

O tempo passou
indolente
e ela esqueceu-se de acordar
tal a ternura que encontrou
entre os entes
que cuidam
com doçura impenetrável
daqueles descuidados
que no mundo do sonho
se deixam ficar
indiferentes ao acordar

 

 

 

Entre Folhas Mil

Entre folhas mil
a melodia
translúcida e bela
nos leva ao reino
encantado
do amor

Que se reproduz
em ritmos virgens
quebrando a memória
rompendo a aurora

Perfurando emblemas
e dilemas
com a paz
de uma espera eterna
que nunca se desfaz

As belas serenas
cúmplices
das tardes ocultas
em que o coração
treme e palpita

No sonho
do gozo
na pausa
da dor
cintila
o ventre

Amar
ao som
da descoberta
do dom

Desperta mulher
abra a boca
e solte o som
que liberta

Mares interiores
levam
caravelas náufragas
dos amores perdidos
ao fundo

É a morte
é a vida
de cada ferida
aberta no peito

Ao vento que sopra
palavras
esquecidas
ou banidas

Na larga margem
ocioso
o olhar perdido
procura na mata
salvação que se foi

Maíra chora
a perdição
mas elas
lhe dão a mão

E o conduzem
ao lago
manso e sereno

Que espera
pelas belas
e as acolhe
em seu seio

Junto com elas
é o lago do amor
escondido
no meio da mata
que só se mostra
aos eleitos

 

 

 

O Tsunami


as águas se desnudam de seus medos
e se deixam rolar em sua atração
pelo profundo desconhecido


enovelam-se em turbulências convulsivas
que as atiram como se não tivessem corpos
em uma jornada espiritual
em que quase alcançam o céu


julgam-se purificadas e atropelam-se
em um gozo interminável
crescem gigantescas na beira da terra


e seu imenso poder
desdobra-se sobre cidades
que pacíficas cuidavam estar seguras


misturam-se ao sangue à dor e ao barro
ao trazer à terra
a espada torrencial


que os anjos geraram no distante passado
em sua missão de purgar muitas almas
que atingiram o seu tempo e o seu espaço


(primeiras horas de 30-12-2004)

 

 

Perco o Encontro

Perco
o encontro
com a sua face
os seus sonhos

Não sei
quem sou
permaneço
no sonho
será
o seu?

Vago
na penumbra
as sombras
por mim
passam
continuo
perdido

Sei
que um dia
você existiu
mas
quando?

Preciso
existir
também

Contrito
me ajoelho
ante a dor

Sou levado
pela nuvem
negra

No Hades
encontro
os olhos tristes
de Eurídice

Continuo
prisioneiro
em um espelho
profundo
insondável

 

 

Visite o site do Autor:

 

~ Recomendar ~

 

 

Contato

Webmistress

GuestMap

 

 

 

Retornar

 

 

 

Copyright © 2003- Flori Jane WebPage

Todos os Direitos Reservados