FLOP, o cão de guarda

História de Lael Littke

Tradução e adaptação de Lucia Prado

 

Quando seu Martins disse aos filhos que eles podiam ter um cachorro, todos ficaram contentíssimos.

- Eu quero um cachorrinho preto com pintas brancas! - disse Marcos.

- Eu quero um cachorro branco com pintas pretas! - disse Miguel.

Albertina não disse nada. Ela era pequena demais para falar.

 

 

Seu Martins trouxe para casa um cachorro marrom, sem pinta nenhuma. Era um cachorrinho de orelhas caídas, meio desengonçadas. O rabinho espetado estava sempre abanando.

- É um cão de guarda - disse seu Martins.

- O nome dele é Flop.

Flop abanou o rabinho e abriu bem a boca, mostrando a língua vermelha e áspera, que entrava e saía parta fora sem parar.

- Olhe! Ele está sorrindo! - disse Marcos.

- Isto quer dizer que ele está gostando da gente! - Disse Miguel.

Albertina não disse nada. Ela era pequena demais para falar.

- Bem...espero que ele não faça chiclete dos nossos sapatos - disse a mãe, meio desconfiada.

 

 

Quando chegou a hora de dormir, seu Martins chamou Flop e disse:

- Flop, lembre-se de que você é um cão de guarda. fique bem acordado e preste atenção!

Flop ficou bem acordado, prestando atenção. E prestou toda atenção que pôde no ladrão que passou pela janela e roubou toda a prataria da casa.

 

 

Na Manhã seguinte, seu Martins passou um pitão em Flop.

- Que espécie de cão de guarda é você? - ele perguntou.

Flop não sabia que espécie de cão de guarda ele era. Abanou o rabinho e abriu bem a boca, mostrando a língua vermelha e áspera, que entrava e saía para fora sem parar.

- Olhe! Ele está sorrindo! - disse Marcos.

-Isto quer dizer que ele está arrependido com a história do ladrão - disse Miguel.

Albertina não disse nada. Ela era muito pequena para falar.

- Bem... espero que ele não deixe ninguém roubar meus lindos pratos - disse a mãe. 

 

 

Seu Martins ajoelhou-se ao lado de Flop.

- Flop - disse ele - você deve aprender a latir. Assim: au, au, au!

- Au, au, au! - latiu Flop.

- Flop - disse seu Martins - você deve aprender a morder. Assim! - seu Martins foi engatinhando até Marcos e deu uma mordidela na perna dele.

Flop foi até Marcos e deu uma boa mordida na perna dele.

- Ai! - gritou Marcos.

- Não, não! - disse seu Martins. - Não é o Marcos que você deve morder! Você deve morder pessoas estranhas que entrem na casa! 

 

 

Naquela tarde bateram na porta. Marcos foi abrir e o Vovô Martins entrou. Flop saiu correndo, na direção do Vovô Martins.

- Au, au, au! - latiu ele. E mais que depressa sapecou uma mordida na perna do Vovô.

- Não, não, Flop! - disse seu Martins. - Vovô Martins não é uma pessoa estranha. Você não deve morder a perna dele.

- É... mas ele já mordeu! - disse o Vovô, esfregando a perna.

Flop abanou o rabinho e abriu a boca, mostrando a língua vermelha e áspera, que entrava e saía para fora sem parar.

- Olhe! Ele está sorrindo! - disse Marcos.

-Isto quer dizer que ele está arrependido - disse Miguel.

Albertina não disse nada...

Espero que ele não tenha rasgado duas calças, Vovô! - disse a mãe.

Vovô Martins esfregou a perna outra vez.

- Na verdade, ele não me machucou muito - disse o avô. - Mas vocês precisam ensinar melhor como ele deve fazer.

 

 

No dia seguinte, seu Martins levou Flop para perto de uma janela.

- Preste atenção, Flop! - disse ele. - De agora em diante, você não vai morder mais as pessoas que entram pela porta. Mas, se alguém passar pela janela, você deve latir bem alto. Assim: au, au, au! E, em seguida, morda com vontade!

- Au, au, au! - latiu Flop.

- Ótimo, ótimo! - disse seu Martins. - Agora, pense, Flop. Pense!

 

 

Naquela noite, seu Martins voltou do serviço mais tarde. Todo mundo estava na cama. Ele quis abrir a porta da frente, mas depois viu que tinha esquecido a chave. Então ele deu a volta, abriu a janela e pulou.

- Au, au, au! - latiu Flop. Daí ele mordeu pra valer a perna de seu Martins.

- Ai! - berrou seu Martins.

Todo mundo pulou da cama e veio correndo. Miguel acendeu a luz. Quando Flop viu que estava mordendo a perna de seu Martins, largou mais que depressa.

 

 

Seu Martins esfregou a perna.

- Flop é um cão de guarda impossível! - disse ele. - Amanhã mesmo vou devolver este cachorro...

Flop não abanou seu rabinho, nem mostrou a língua. Ele só abaixou a cabeça.

- Olhe! Ele não está sorrindo! - disse Marcos.

- Isto quer dizer que ele não quer nos deixar! - disse Miguel.

Albertina não disse nada, nada.

- Bem... espero que você traga um gatinho da próxima vez! - disse a mãe.

 

 

No dia seguinte, quando Flop saiu para brincar, Marcos e Miguel sentaram e ficaram olhando Flop. Nenhum dos dois ficou prestando atenção em Albertina. Ela estava brincando com sua grande bola amarela. De repente, a bola rolou para a rua e Albertina foi direto atrás dela. Ela nem percebeu o carro preto que ia descendo a rua. Marcos e Miguel também não viram o carro.

Mas Flop viu. Flop estava atento. Flop correu para a rua e agarrou o vestido de Albertina com os dentes. Sem esperar um segundo, puxou Albertina para trás, no momento em que o carro ia passar.

 

 

Naquela noite, Marcos e Miguel contaram a seu Martins o que Flop tinha feito.

- Flop é um cão de guarda maravilhoso! - disse seu Martins, quando soube da história. - O problema é que a gente não sabia que espécie de cão de guarda era ele. Agora, sim, agora sabemos: Flop é um cão de guarda de crianças!

Você ainda vai mandar ele de volta? - perguntou Marcos.

-Não! - disse seu Martins. - Nós precisamos dele par tomar conta de Albertina.

Flop abanou o rabinho e abriu a boca, mostrando a língua vermelha e áspera, que entrava e saía para fora sem parar.

- Olhe! Ele está sorrindo! - disse Marcos.

-Isto quer dizer que ele está contente de ficar com a gente! - disse Miguel.

- Au, au, au! - disse Albertina.

- Bem... espero que ela não aprenda a morder também! - disse a mãe.

 

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